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title: "Como construir um Design System no Figma: passo a passo"
date: 2026-04-30T18:25:42Z
modified: 2026-08-18T01:02:48Z
permalink: "https://camaraux.com.br/como-construir-um-design-system-no-figma/"
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excerpt: Tutorial prático para criar um Design System no Figma com Variables, componentes, Auto Layout, libraries e documentação, do início à publicação.
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categories:
  - Design Systems
rank_math_title: "Como criar um Design System no Figma: passo a passo"
rank_math_description: Aprenda como construir um Design System no Figma com Variables, componentes, Auto Layout, libraries, documentação e governança passo a passo.
rank_math_focus_keyword: Design System no Figma,Figma,Variables,Auto Layout
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featured_image_alt: Ilustração isométrica minimalista de interface modular com componentes e layout flexível em tons de roxo
author: Lucas Camara
timestamp: 2026-08-18T01:02:48Z
tags:
  - Design Systems
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Construir um **Design System no Figma** não significa começar criando dezenas de componentes. O trabalho começa antes: entender o que já existe no produto, identificar decisões que se repetem e definir quais delas precisam se transformar em uma base reutilizável para o time.

Neste tutorial, vamos montar essa estrutura passo a passo: auditoria, organização do arquivo, foundations, Variables, modos, Auto Layout, componentes, propriedades, documentação e publicação da library. O objetivo é chegar a um sistema pequeno, funcional e preparado para crescer — não a uma biblioteca enorme que ninguém consegue manter.

Se você ainda está tentando entender a arquitetura por trás desses recursos, leia primeiro o guia sobre [Design System no Figma](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/design-systems-figma.md). Para uma visão mais ampla sobre conceito, componentes e governança, consulte também o [guia completo de Design System](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/design-system-guia-escalabilidade-roi.md).



Tutorial oficial da Figma sobre a construção de um Design System.## Antes de abrir o Figma: defina o que o sistema precisa resolver

Um dos erros mais comuns é começar o Design System pela ferramenta. O time abre um novo arquivo, cria uma página chamada “Components” e começa a reconstruir botões sem saber se aqueles são realmente os maiores problemas do produto.

Comece fazendo uma pequena auditoria das interfaces que já existem. Observe os principais fluxos do produto e procure decisões que aparecem repetidamente:

- quantas cores diferentes estão sendo utilizadas para a mesma função;
- quantos estilos de texto cumprem funções equivalentes;
- quantos botões visualmente semelhantes existem;
- quais espaçamentos aparecem com frequência;
- quais componentes foram recriados em diferentes arquivos;
- quais diferenças são intencionais e quais são apenas inconsistências;
- quais problemas de acessibilidade se repetem.

O resultado da auditoria não precisa ser uma documentação enorme. Uma planilha, um board no FigJam ou uma página dentro do próprio arquivo pode ser suficiente para registrar padrões, inconsistências e decisões que precisam ser tomadas.

## Passo 1: crie e organize o arquivo do Design System

Crie um arquivo dedicado ao sistema e dê a ele um nome que faça sentido para quem precisará encontrá-lo no futuro. Evite nomes genéricos como “Components final 2”. Algo como **Nome do Produto — Design System** já comunica melhor sua função.

Uma estrutura inicial possível é:

- **00 — Welcome:** objetivo, responsáveis, documentação e orientações gerais;
- **01 — Foundations:** cores, tipografia, espaçamento, radius, elevação e outras decisões básicas;
- **02 — Components:** componentes reutilizáveis;
- **03 — Patterns:** combinações e soluções recorrentes;
- **04 — Playground / QA:** área para testar componentes e combinações antes da publicação.

Isso não é uma estrutura obrigatória. A própria Figma destaca que uma equipe pode manter tudo em um único arquivo ou dividir foundations, ícones, componentes e plataformas em libraries diferentes conforme o sistema amadurece.

[![Exemplo oficial da Figma mostrando um arquivo dedicado ao Design System](https://help.figma.com/hc/article_attachments/14798380498839)

](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/14548865734679-Lesson-3-Build-your-design-system)Exemplo do curso oficial da Figma com um arquivo dedicado ao Design System. Fonte: Figma.## Passo 2: defina uma convenção de nomes antes de criar componentes

A nomenclatura é uma das decisões mais simples de ignorar no início e mais caras de corrigir depois. Componentes, Variables e propriedades precisam seguir uma lógica previsível.

Não existe uma sintaxe universal. Você pode trabalhar com barras, pontos, hífens ou outra estrutura. O que importa é que os nomes expressem uma lógica compreensível e sejam utilizados de maneira consistente.

Um exemplo para cores primitivas:


```
color/blue/100
color/blue/500
color/blue/700
color/neutral/0
color/neutral/900
```

E uma camada semântica poderia utilizar:


```
color/background/default
color/background/brand
color/text/default
color/text/subtle
color/action/primary
color/action/primary-hover
```

A diferença é importante: `blue/500` descreve um valor; `action/primary` comunica uma função. Essa separação ajuda a mudar a aparência sem precisar alterar a intenção consumida pelos componentes.

Para aprofundar arquitetura e nomenclatura, consulte o guia sobre [Design Tokens](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/design-tokens-arquitetura-w3c.md).

## Passo 3: crie as primeiras Variables

No Figma atual, as Variables são gerenciadas pela área **Variables** disponível na navegação do arquivo. É nela que você cria collections, Variables, modes e grupos.

Uma boa forma de começar é não transformar todo valor existente em Variable de uma vez. Crie primeiro aquilo que será realmente compartilhado por diferentes componentes.

### Crie uma collection de valores básicos

Você pode começar com uma collection para valores de referência, por exemplo:


```
Primitive

color/neutral/0
color/neutral/100
color/neutral/900
color/blue/500
color/red/500

spacing/4
spacing/8
spacing/12
spacing/16
spacing/24

radius/small
radius/medium
radius/large
```

Os nomes são apenas exemplos. A escala deve refletir as necessidades observadas no produto.

[![Painel de Variables do Figma mostrando grupos e modos Light e Dark](https://help.figma.com/hc/article_attachments/26964398862615)

](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/15145852043927-Create-and-manage-variables-and-collections)Variables podem ser organizadas em collections, grupos e modes. Fonte: Figma.### Crie Variables semânticas com aliases

Depois dos valores básicos, crie uma camada que represente a intenção das decisões. No Figma, uma Variable pode utilizar outra Variable compatível como **alias**.

Por exemplo:


```
color/action/primary
→ alias de color/blue/500

color/text/default
→ alias de color/neutral/900

color/background/default
→ alias de color/neutral/0
```

Se o valor da cor principal mudar posteriormente, os componentes continuam consumindo `color/action/primary`. A intenção permanece enquanto a implementação visual pode evoluir.

O artigo sobre [Figma Variables](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/figma-variables.md) aprofunda aliases, collections, modes e estratégias de tokens semânticos.

## Passo 4: configure Light Mode, Dark Mode e outros contextos quando fizer sentido

Modes permitem que uma mesma Variable tenha valores diferentes dependendo do contexto. Um caso comum é alternar entre temas claro e escuro.

A Variable:


```
color/background/default
```

pode apontar para um valor claro no modo **Light** e para outro valor no modo **Dark**. O componente continua consumindo a mesma decisão sem precisar possuir uma variante específica apenas para trocar todas as suas cores.



| Variable | Light | Dark |
| --- | --- | --- |
| `color/background/default` | `neutral/0` | `neutral/900` |
| `color/text/default` | `neutral/900` | `neutral/0` |
| `color/border/default` | `neutral/200` | `neutral/700` |

Não crie modos apenas porque o recurso existe. Eles fazem sentido quando o mesmo conjunto de decisões precisa assumir valores diferentes por tema, marca, plataforma, viewport ou outro contexto real do produto.

A quantidade de modes disponível por collection depende do plano utilizado no Figma, então vale conferir os limites atuais antes de definir uma arquitetura baseada em muitos contextos.

## Passo 5: aplique escopo e Code Syntax às Variables importantes

Uma Variable também pode indicar **onde deve aparecer como opção**. O recurso de scope reduz a chance de alguém utilizar uma decisão no lugar errado.

Uma Variable destinada a radius, por exemplo, pode ser limitada a propriedades de canto; uma Variable de cor para texto pode receber um escopo relacionado a text fill.

Para equipes que conectam design e desenvolvimento, o Figma permite ainda cadastrar **Code Syntax**. Assim, uma Variable pode ter uma representação própria para Web, Android ou iOS que aparece durante a inspeção no Dev Mode.


```
Design:
color/action/primary

Web:
var(--color-action-primary)
```

Essa correspondência não transforma automaticamente o Design System em código, mas reduz ambiguidade entre a decisão utilizada no design e a nomenclatura esperada na implementação.

## Passo 6: construa as foundations antes dos componentes complexos

Com as principais Variables organizadas, defina as foundations que serão consumidas pelos componentes. Dependendo do produto, isso pode incluir:

- cores;
- tipografia;
- spacing;
- radius;
- elevação;
- iconografia;
- layout e grids.

Não é necessário transformar todas as foundations no mesmo tipo de recurso. Variables são ótimas para valores reutilizáveis e contextuais, enquanto Styles ainda podem fazer sentido quando é necessário representar um conjunto de propriedades.

Se a base de cores ainda não estiver definida, consulte também o tutorial sobre [como criar uma paleta de cores para Design System](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/como-criar-paleta-cores-design-system.md).

## Passo 7: construa seu primeiro componente com Auto Layout

Agora vamos transformar as foundations em um componente real. Um botão é um bom exercício porque reúne conteúdo, espaçamento, cor, radius, diferentes estados e comportamento responsivo.

### 1. Crie o conteúdo do botão

Adicione uma camada de texto com um rótulo como **Continuar**.

### 2. Aplique Auto Layout

Selecione o texto e utilize **Shift + A**. O Figma cria um frame com Auto Layout ao redor do conteúdo.

Defina:

- padding horizontal;
- padding vertical;
- alinhamento;
- gap, caso existam outros elementos;
- comportamento de largura e altura.

Os valores devem vir do seu sistema de spacing, e não de números escolhidos isoladamente para o componente.

[![Painel atual de Auto Layout do Figma aplicado a uma interface mobile](https://help.figma.com/hc/article_attachments/31937315078679)

](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/5731482952599-Toggle-on-auto-layout-in-designs)Auto Layout organiza relações de fluxo, alinhamento, gap, padding e redimensionamento. Fonte: Figma.O Auto Layout atual suporta fluxos **horizontal, vertical e grid**. Para um botão simples, o fluxo horizontal costuma ser suficiente; estruturas mais complexas podem combinar diferentes níveis de Auto Layout.

### 3. Aplique as Variables

Em vez de utilizar valores locais diretamente, vincule o componente às decisões que já definimos.


```
Fill → color/action/primary
Text → color/text/on-primary
Radius → radius/medium
Horizontal padding → spacing/16
Vertical padding → spacing/12
```

Os nomes e valores acima são apenas um exemplo. A lógica é mais importante que a escala específica.

### 4. Transforme o frame em componente

Depois que o comportamento básico estiver correto, transforme o frame em um **Main Component**. A partir dele, novas instâncias passam a herdar as mudanças feitas na origem.

Dê ao componente um nome funcional e simples, como:


```
Button
```

Evite incluir detalhes que já serão controlados por propriedades, como `Button/Blue/Large/Hover`.

## Passo 8: crie Variants apenas para diferenças que realmente representam estados ou tipos

Variants organizam versões relacionadas de um componente em um component set. Para nosso botão, poderíamos começar com propriedades como:


```
Type:
Primary
Secondary

State:
Default
Hover
Pressed
Disabled

Size:
Small
Medium
Large
```

Isso não significa que toda combinação possível precise existir. Antes de criar uma nova variant, pergunte se a diferença realmente representa um estado estrutural ou se pode ser controlada de outra forma.

## Passo 9: use Component Properties para evitar explosão de Variants

Component Properties expõem controles específicos diretamente para quem utiliza a instância. Atualmente, o Figma trabalha com diferentes tipos de propriedades que podem ajudar a manter os componentes mais flexíveis.



| Property | Quando usar |
| --- | --- |
| **Text** | Permitir edição do conteúdo textual |
| **Boolean** | Mostrar ou esconder uma camada opcional |
| **Instance swap** | Trocar uma instância interna, como um ícone |
| **Variant** | Alternar estados ou versões estruturadas |
| **Slot** | Permitir conteúdo flexível dentro de uma área controlada |

No nosso botão, por exemplo, o texto não precisa gerar uma nova variant. Crie uma **Text Property** para o label.

Se o ícone for opcional, uma Boolean Property pode controlar sua visibilidade. Se diferentes ícones puderem ser usados, uma Instance Swap Property pode indicar quais componentes são alternativas adequadas.

## Passo 10: use Slots quando o componente precisar aceitar conteúdo mais flexível

Nem todo componente se encaixa bem em uma lista fechada de Variants. Cards, modais, listas e outras estruturas podem precisar aceitar diferentes quantidades e tipos de conteúdo.

Os **Slots** são um tipo de Component Property que cria uma área flexível dentro da instância. Nessa área é possível inserir, reorganizar ou redimensionar conteúdo sem precisar detachar o componente principal.

Isso pode reduzir componentes com dezenas de combinações artificiais. Ainda assim, flexibilidade precisa ter limites: se qualquer conteúdo puder entrar em qualquer lugar, o componente deixa de comunicar um padrão útil.

## Passo 11: teste o componente em situações reais

Não publique o componente assim que ele parecer correto na página de documentação. Coloque instâncias em situações próximas das interfaces reais.

Teste pelo menos:

- textos curtos e longos;
- conteúdo em outro idioma quando internacionalização for relevante;
- larguras diferentes;
- todos os estados;
- combinações com outros componentes;
- Light e Dark Mode, quando existirem;
- uso sem e com ícone;
- conteúdo de tamanho extremo.

Se o time precisa detachar a instância para executar um cenário normal, isso é um sinal de que a arquitetura do componente merece revisão.

## Passo 12: documente o componente antes de publicá-lo

Uma biblioteca não deveria exigir que a pessoa responsável pelo Design System esteja disponível para explicar cada componente.

Registre pelo menos:

- qual problema o componente resolve;
- quando utilizá-lo;
- quando não utilizá-lo;
- quais propriedades podem ser alteradas;
- quais estados existem;
- regras de conteúdo;
- considerações de responsividade;
- requisitos de acessibilidade;
- correspondência com código, quando existir.

O Figma permite adicionar descrição e link para documentação aos componentes. Para sistemas maiores, a documentação pode continuar em uma plataforma externa ou próxima do código.

Se você estiver transformando um produto existente em sistema, veja também o guia sobre [como documentar um Design System sem começar do zero](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/documentar-design-system-site-existente.md).

## Passo 13: valide acessibilidade antes de transformar o componente em padrão

Quando um componente entra em uma library, seus acertos e erros passam a ser multiplicados. Por isso, acessibilidade precisa ser considerada antes da distribuição.

No caso do botão, observe:

- contraste entre texto e fundo;
- estados de foco previstos;
- tamanho e legibilidade do texto;
- uso correto de cor como sinal complementar, não exclusivo;
- estado disabled compreensível;
- implementação semântica esperada no código;
- área de interação adequada ao contexto.

A camada do Figma não consegue validar sozinha toda a acessibilidade da implementação, mas o Design System pode impedir que problemas conhecidos sejam repetidos desde a origem.

Para aprofundar essa etapa, consulte [acessibilidade em Design Systems e WCAG](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/acessibilidade-design-systems-inclusao-wcag.md) e o guia específico sobre [acessibilidade cromática](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/acessibilidade-cores-design-system.md).

## Passo 14: publique a library

Enquanto components, styles e Variables permanecem locais, eles só estão disponíveis naquele arquivo. Para distribuí-los para outros arquivos, o Design System pode ser publicado como uma **library**.

Segundo a documentação atual da Figma, publicação de libraries está disponível em planos pagos. Components, styles e Variables podem ser criados localmente mesmo sem uma library publicada.

Quando o sistema estiver pronto para a primeira distribuição:

1. abra a área de Assets;
2. acesse Libraries;
3. localize o arquivo atual;
4. selecione **Publish**;
5. revise quais assets serão incluídos;
6. escreva uma descrição clara sobre a publicação;
7. publique.

Não trate a descrição como burocracia. Ela é uma forma de explicar para quem utiliza a library quais decisões estão chegando ao produto.

## Passo 15: teste a library em outro arquivo

A melhor forma de descobrir se a biblioteca está realmente utilizável é sair do arquivo onde ela foi construída.

Crie ou abra outro arquivo de produto, habilite a library e tente trabalhar como uma pessoa que não participou da construção.

Observe:

- se os componentes são fáceis de encontrar;
- se os nomes fazem sentido fora do contexto da equipe responsável;
- se as propriedades importantes estão expostas;
- se existem opções demais;
- se as Variables corretas aparecem nos contextos esperados;
- se a documentação responde às dúvidas mais comuns;
- se existe necessidade frequente de overrides ou detach.

Esse teste costuma revelar problemas de arquitetura que não são perceptíveis quando todo o conhecimento está concentrado em quem criou o sistema.

## Passo 16: teste o fluxo de atualização antes de escalar

Uma library não existe apenas para distribuir a primeira versão dos componentes. Ela também precisa conseguir evoluir.

Faça um teste simples:

1. altere uma propriedade do Main Component;
2. publique a atualização;
3. abra um arquivo consumidor;
4. revise a notificação de atualização;
5. aceite a mudança;
6. confirme se as instâncias continuam funcionando como esperado.

Esse fluxo ajuda a entender o efeito de uma mudança antes que o sistema tenha dezenas de consumidores.

## Passo 17: aproxime Design System e desenvolvimento

Um Design System no Figma não substitui a implementação em código. Quanto maior a maturidade do sistema, mais importante fica deixar claras as correspondências entre as duas camadas.

Algumas práticas que ajudam:

- usar nomes compreensíveis entre design e desenvolvimento;
- adicionar Code Syntax às Variables quando relevante;
- documentar o componente equivalente em código;
- alinhar propriedades e estados;
- registrar diferenças intencionais entre plataformas;
- utilizar Dev Mode durante o handoff.

No Dev Mode, Variables utilizadas no design podem exibir nome, collection, mode, valor e cadeia de aliases, além de sintaxe cadastrada para a plataforma. Isso ajuda desenvolvimento a entender a decisão utilizada sem depender apenas do valor visual final.

## Uma estrutura mínima para o primeiro Design System

Se você estiver começando, não precisa sair deste tutorial com uma library de 100 componentes. Um primeiro sistema funcional poderia conter:



| Área | Primeira versão |
| --- | --- |
| **Cor** | Primitivas + principais tokens semânticos |
| **Spacing** | Escala utilizada nos componentes principais |
| **Radius** | Valores realmente utilizados pelo produto |
| **Tipografia** | Estilos ou Variables necessários aos principais contextos |
| **Components** | Button, input e alguns elementos recorrentes |
| **Documentation** | Uso, estados, propriedades e acessibilidade |
| **Library** | Primeira versão publicada e testada em outro arquivo |

Depois disso, deixe as necessidades do produto indicarem o que deve entrar no roadmap do sistema.

## Erros comuns ao construir um Design System no Figma

### Criar todos os componentes antes de testar qualquer um

Isso aumenta o custo de corrigir decisões ruins. Construa, teste em uma interface real e só então amplie o padrão.

### Criar Variables para qualquer número existente

Um sistema não fica melhor apenas porque possui milhares de tokens. Transforme em decisão compartilhada aquilo que realmente precisa de controle e reutilização.

### Criar uma Variant para cada combinação possível

Use Component Properties, Instance Swap, Boolean Properties e Slots quando forem formas mais adequadas de representar flexibilidade.

### Construir tudo com dimensões fixas

Componentes precisam responder a mudanças de conteúdo. Auto Layout deve representar relações entre os elementos, não apenas reproduzir uma tela específica.

### Publicar sem documentação

Um componente pode ser reutilizável tecnicamente e ainda ser difícil de usar corretamente. Documentação faz parte do sistema.

### Usar detach como solução normal

Detach é útil em exceções, mas frequência elevada costuma indicar que os componentes não estão cobrindo necessidades reais ou estão rígidos demais.

## Checklist antes de publicar a primeira versão

- ☐ O objetivo da library está documentado.
- ☐ Os nomes seguem uma convenção consistente.
- ☐ Variables importantes possuem descrição e função clara.
- ☐ Aliases representam corretamente a camada semântica.
- ☐ Modes foram criados apenas quando existe necessidade real.
- ☐ Os componentes usam Auto Layout de forma adequada.
- ☐ Estados e variantes necessários foram testados.
- ☐ Component Properties reduzem overrides desnecessários.
- ☐ Componentes foram testados com textos e tamanhos diferentes.
- ☐ Acessibilidade foi considerada.
- ☐ A documentação explica quando usar e quando evitar.
- ☐ A library foi testada em outro arquivo.
- ☐ O fluxo de atualização foi validado.
- ☐ Design e desenvolvimento compartilham uma nomenclatura compreensível.

## O que fazer depois da primeira versão?

Depois de publicar, não volte imediatamente para o arquivo para criar mais vinte componentes. Observe como as pessoas utilizam o que já existe.

Novos componentes deveriam surgir de problemas recorrentes. Quando uma necessidade aparece uma única vez, talvez seja uma exceção do produto. Quando diferentes equipes começam a resolver repetidamente o mesmo problema, existe um candidato muito mais forte para o Design System.

Com o crescimento do sistema, você pode aprofundar arquitetura de libraries, governança, documentação, acessibilidade e relação com engenharia. O conteúdo sobre [estratégia e desafios de Design Systems](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/design-system-brasileiros-estrategia-negocio-guia.md) discute justamente essa evolução organizacional.

### Por onde começar um Design System no Figma?

Comece auditando o produto e identificando decisões recorrentes. Depois organize foundations e Variables, construa poucos componentes importantes, teste-os em interfaces reais e só então publique uma library.





### Preciso usar Variables para criar um Design System no Figma?

Variables são muito úteis para representar valores reutilizáveis, tokens e contextos como temas, mas um Design System não é definido apenas por Variables. Componentes, documentação, governança e processos também fazem parte do sistema.





### Todo componente deve usar Auto Layout?

Auto Layout é especialmente útil quando o componente precisa responder a mudanças de conteúdo, espaçamento ou tamanho. A arquitetura deve representar o comportamento real do componente, e não aplicar Auto Layout apenas por regra.





### Quando devo publicar o Design System como library?

Publique quando uma primeira parte do sistema estiver suficientemente estável, documentada e testada em situações reais. Não é necessário esperar que todos os componentes possíveis estejam prontos.





### Variants ou Component Properties: qual usar?

Variants funcionam bem para estados e versões estruturadas de um componente. Component Properties são úteis para expor controles como texto, visibilidade, troca de instância e áreas flexíveis. Na prática, componentes podem combinar essas abordagens.









## Conclusão

Construir um Design System no Figma é menos sobre produzir uma grande biblioteca e mais sobre **transformar decisões recorrentes em uma estrutura reutilizável e compreensível**.

Comece pelo produto que você já possui. Audite inconsistências, organize foundations, transforme decisões compartilhadas em Variables, crie componentes que respondam ao conteúdo com Auto Layout e use Variants e Component Properties para representar apenas a flexibilidade necessária.

Depois, teste essas decisões fora do arquivo de origem, documente seu uso e publique uma primeira versão da library. A partir daí, o sistema deve crescer em resposta a problemas reais de design e desenvolvimento — não apenas porque é possível adicionar mais componentes.

Para entender em mais profundidade como libraries, components e Variables se relacionam dentro da ferramenta, continue no guia sobre [**Design System no Figma**](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/post/design-systems-figma.md). Para explorar todo o cluster, acesse também a [**biblioteca de Design Systems da CamaraUX**](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/taxonomy/category/design-systems.md).

## Referências

- [Figma — Lesson 3: Build your design system](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/14548865734679-Lesson-3-Build-your-design-system)
- [Figma — Create and manage Variables and Collections](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/15145852043927-Create-and-manage-variables-and-collections)
- [Figma — Variables, Collections e Modes](https://help.figma.com/hc/pt-br/articles/14506821864087-Vis%C3%A3o-geral-de-vari%C3%A1veis-cole%C3%A7%C3%B5es-e-modos)
- [Figma — Auto Layout](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/5731482952599-Toggle-on-auto-layout-in-designs)
- [Figma — Component Properties](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/5579474826519-Explore-component-properties)
- [Figma — Slots](https://help.figma.com/hc/en-us/articles/38231200344599-Use-slots-to-build-flexible-components-in-Figma)
- [Figma — Publicar uma library](https://help.figma.com/hc/pt-br/articles/360025508373-Publicar-uma-biblioteca)
- [Figma — Variables no Dev Mode](https://help.figma.com/hc/pt-br/articles/27882809912471-Vari%C3%A1veis-no-Dev-Mode)

## Topics

**Categorias:** [Design Systems](https://camaraux.com.br/wp-content/uploads/wp-mfa-exports/taxonomy/category/design-systems.md)