UX no e-commerce: como melhorar a jornada de compra

Categoria

Produto & Estratégia

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11 min de leitura

Publicação

10/03/2023

Resumo: Entenda como melhorar a experiência de um e-commerce da descoberta ao pós-compra, identificando problemas em busca, filtros, produto, carrinho e checkout.

UX no e-commerce é a experiência que existe entre a intenção de comprar e tudo o que uma pessoa precisa fazer para encontrar, avaliar, escolher, pagar, receber e, quando necessário, trocar ou devolver um produto.

Por isso, melhorar a experiência de uma loja virtual não significa apenas tornar o site mais bonito. Um e-commerce pode ter uma interface visualmente sofisticada e continuar difícil de usar se a busca não encontra produtos, os filtros não ajudam a reduzir opções, informações importantes estão escondidas ou o checkout cria esforço desnecessário.

Dentro de Produto & Estratégia, eu prefiro olhar para e-commerce como uma sequência de decisões e tarefas. Cada etapa precisa ajudar a pessoa a responder uma pergunta antes de avançar para a próxima.

O que é UX no e-commerce?

UX no e-commerce é a aplicação de pesquisa, arquitetura da informação, design de interação, conteúdo, usabilidade, acessibilidade e mensuração para tornar a jornada de compra mais compreensível e eficiente.

A experiência não começa no botão “Comprar” e não termina quando o pagamento é aprovado.

EtapaPergunta do usuárioProblemas comuns
DescobertaVocês têm o que eu procuro?Navegação e busca inadequadas
ExploraçãoQuais opções atendem minha necessidade?Filtros, ordenação e listas ruins
AvaliaçãoEste é o produto certo?Informações, imagens e variações insuficientes
DecisãoQuanto vai custar e quando chega?Frete, prazo e condições escondidos
CarrinhoMeu pedido está correto?Valores e edição pouco claros
CheckoutConsigo concluir sem erro?Conta obrigatória, formulários e pagamento
Pós-compraO que acontece agora?Status, alteração, troca e suporte difíceis

Essa estrutura é mais útil do que uma lista isolada de elementos de interface porque permite relacionar cada decisão de design a uma tarefa real da jornada.

1. A pessoa precisa conseguir encontrar o produto

Antes de pensar na página de produto, existe um problema anterior: encontrabilidade.

Algumas pessoas chegam navegando por categorias. Outras digitam diretamente na busca o nome, modelo, característica ou problema que querem resolver.

A pesquisa de Search UX do Baymard Institute mostra que mesmo grandes e-commerces ainda apresentam dificuldades para suportar diferentes formas de consulta. Um produto pode existir no catálogo e ainda parecer inexistente para o usuário se a busca não compreender como ele procura.

Isso significa que busca não deveria funcionar apenas para correspondência exata de palavras. Dependendo do catálogo, usuários podem procurar por:

  • nome específico do produto;
  • categoria;
  • característica;
  • uso ou problema;
  • compatibilidade;
  • modelo ou código;
  • termos alternativos utilizados pelo público.

Quando a dificuldade está na organização do catálogo e nos caminhos disponíveis, também vale olhar para arquitetura da informação.

2. Filtros precisam reduzir o catálogo sem desorientar

Encontrar uma categoria com 2.000 itens ainda não significa encontrar um produto.

Filtros permitem transformar um catálogo genérico em uma seleção compatível com as necessidades da pessoa. Em moda, tamanho e material podem ser essenciais. Em eletrônicos, compatibilidade e especificações ganham importância. Em supermercados, marca, quantidade ou restrição alimentar podem ser mais úteis.

O erro é utilizar a mesma estrutura de filtros para qualquer categoria.

Filtros também precisam deixar claro o que foi aplicado. Se a pessoa selecionou tamanho, cor e faixa de preço, ela deve conseguir perceber e remover essas condições sem reconstruir toda a busca.

Em mobile, ainda existe outro desafio: espaço. A interação que funciona em uma lateral de desktop pode se tornar difícil quando transformada em uma gaveta pequena na tela de um celular.

3. A lista de produtos precisa ajudar a decidir o que vale abrir

Uma Product Listing Page, ou PLP, não é apenas uma grade de imagens.

Cada card precisa fornecer informação suficiente para que a pessoa decida se aquele produto merece uma análise mais profunda.

Preço, imagem e nome quase sempre estão presentes. Mas outros atributos dependem da categoria: capacidade, dimensões, quantidade, compatibilidade, avaliação, variações disponíveis ou preço por unidade podem ser decisivos.

Se atributos importantes não aparecem, o usuário precisa abrir vários produtos apenas para descobrir que não atendem sua necessidade.

Também é nessa etapa que ordenação, filtros e conteúdo dos cards precisam funcionar como um sistema. Um ótimo filtro não compensa cards insuficientes, e bons cards não resolvem um catálogo impossível de reduzir.

4. A página de produto precisa substituir parte da experiência física

Em uma loja física, é possível tocar, observar, experimentar, comparar dimensões e conversar com alguém. No ambiente digital, parte dessas informações precisa ser traduzida pela página de produto.

Por isso a PDP precisa ajudar a responder perguntas como:

  • qual é exatamente o produto;
  • como ele é em diferentes ângulos e contextos;
  • qual é o tamanho ou escala real;
  • quais variações estão disponíveis;
  • quanto custa;
  • quanto custa receber;
  • quando será entregue;
  • quais são as condições de troca ou devolução;
  • o que compradores anteriores observaram;
  • se o produto atende a uma necessidade ou compatibilidade específica.

O problema não é simplesmente “faltar texto”. Uma página pode ter uma descrição enorme e continuar sem responder às dúvidas que realmente determinam a compra.

O benchmark de Product Page UX do Baymard mostra, por exemplo, problemas recorrentes com seleção de variações, imagens sem contexto de escala, custos adicionais pouco visíveis, políticas de devolução difíceis de encontrar e uso inadequado de avaliações.

Vídeo: 15 práticas de UX para páginas de produto

Neste vídeo, Christian Holst, cofundador do Baymard Institute, apresenta práticas baseadas nos estudos de usabilidade da instituição para melhorar páginas de produto em e-commerce.

5. Frete, prazo e devolução fazem parte da decisão

Preço do produto não é necessariamente o custo percebido da compra.

Se frete, prazo ou regras de devolução influenciam a decisão, escondê-los até o final do checkout apenas transfere a dúvida para uma etapa posterior.

O Baymard recomenda tornar informações de custo de entrega e devolução acessíveis ainda na página de produto quando elas são relevantes para a decisão.

Isso é especialmente importante em compras de maior risco percebido, como móveis, roupas, produtos caros ou itens em que tamanho e compatibilidade podem levar à devolução.

Transparência reduz a necessidade de a pessoa simular uma compra apenas para descobrir o custo final.

6. Avaliações devem ajudar a reduzir incerteza

Avaliações não deveriam ser tratadas apenas como uma fileira de estrelas ao lado do nome do produto.

Em categorias nas quais tamanho, durabilidade, aparência ou uso real geram incerteza, comentários e imagens de compradores podem complementar informações que a própria marca não consegue oferecer com a mesma percepção de independência.

Também existe valor em responder críticas. Uma avaliação negativa sem contexto pode falar sobre produto, entrega, atendimento ou uma expectativa específica. A resposta da empresa ajuda outros compradores a entender como aquela situação foi tratada.

7. Carrinho é uma etapa de revisão, não apenas armazenamento

Antes de pagar, a pessoa precisa conseguir conferir o pedido.

Produto, variação, quantidade, preço, desconto, frete e subtotal precisam ser compreensíveis. Alterar quantidade ou remover um item não deveria exigir reconstruir a compra.

O carrinho também não precisa transformar cada centímetro da tela em oportunidade de upsell. Recomendações podem ser úteis quando são realmente complementares, mas não deveriam competir com a tarefa principal de conferir e avançar.

8. Checkout precisa diminuir trabalho desnecessário

Quando alguém chegou ao checkout, já existe um nível importante de intenção. Essa etapa deveria evitar criar novas barreiras.

A pesquisa de checkout do Baymard Institute destaca problemas recorrentes relacionados a criação obrigatória de conta, formulários, endereço, pagamento, custo e revisão do pedido.

Uma pergunta útil para cada campo é: precisamos dessa informação agora?

Quando um dado é realmente necessário, o foco passa a ser tornar o preenchimento mais simples: rótulo claro, teclado adequado no mobile, autofill compatível, validação compreensível e mensagens que expliquem como corrigir erros.

O guia de formulários em UX aprofunda esses princípios.

Compra como visitante pode remover uma barreira desnecessária

Criar uma conta pode ser valioso para a empresa e para clientes recorrentes. Isso não significa que ela precisa ser condição obrigatória para toda primeira compra.

Quando o modelo da operação permite, oferecer checkout como visitante deixa a criação de conta para um momento em que seu benefício pode ser explicado com mais clareza.

Depois da compra, por exemplo, a empresa pode oferecer a opção de criar uma senha para acompanhar pedidos e agilizar compras futuras utilizando os dados já informados.

9. Erros precisam ajudar a pessoa a continuar

“Campo inválido” informa que existe um problema. Não necessariamente ajuda a resolvê-lo.

Em checkout, mensagens de erro precisam indicar o campo, explicar o que aconteceu e orientar a correção sem apagar informações que já foram preenchidas.

O mesmo vale para falhas de pagamento, cupons inválidos, CEP não atendido, estoque alterado ou qualquer outro estado que interrompa a jornada.

O conteúdo sobre feedback em UX aprofunda como comunicar estado, resultado e próximo passo.

10. Mobile precisa ser analisado como contexto de uso

Adaptar uma grade de quatro colunas para uma coluna não resolve automaticamente UX mobile.

A tela menor reduz visão geral, muda a interação com filtros, altera a forma de preencher campos e torna sobreposições, banners fixos e elementos concorrentes muito mais intrusivos.

O estudo de mobile e-commerce do Baymard reúne milhares de problemas observados em testes e mostra que busca, navegação, formulários e recursos sitewide continuam sendo áreas difíceis para muitos grandes e-commerces.

O guia sobre design responsivo aprofunda a adaptação de conteúdo e interação a diferentes tamanhos e contextos.

11. Performance também é uma característica da experiência

Uma página de produto pode ter ótima arquitetura e ainda falhar se imagens críticas demoram para aparecer ou se a interface responde lentamente ao toque.

Performance precisa ser observada em conjunto com comportamento e negócio, não apenas como uma pontuação técnica.

Isso é especialmente relevante no mobile, onde dispositivo, conexão e condições reais de uso podem ser muito diferentes da máquina utilizada pela equipe que desenvolveu a loja.

12. A experiência continua depois do pagamento

A tela “Pedido confirmado” não encerra a jornada.

Depois da compra, a pessoa pode precisar compreender:

  • se o pagamento foi aprovado;
  • qual é o número do pedido;
  • quando o produto será enviado;
  • como acompanhar a entrega;
  • como alterar informações quando possível;
  • como cancelar;
  • como solicitar troca ou devolução;
  • como receber suporte.

Uma boa experiência de compra que se transforma em uma experiência ruim de acompanhamento continua sendo uma experiência ruim do ponto de vista de quem comprou.

Como descobrir os problemas de UX do seu e-commerce

Não comece escolhendo vinte boas práticas para implementar.

Comece identificando onde a jornada apresenta sinais de dificuldade.

SinalO que investigar
Busca sem resultadoConsultas reais, sinônimos e lógica da busca
Saída em categoriasFiltros, ordenação, cards e catálogo
PDP com baixo avançoInformação, variações, preço, frete e confiança
Abandono no carrinhoCusto, revisão e próximo passo
Queda no checkoutCampos, conta, frete, pagamento e erros
Problema concentrado em mobileLayout, interação, teclado, performance e overlays
Contato recorrente no suporteInformações ou processos que a interface não resolve

Analytics mostra padrões. Gravações de sessão ajudam a observar comportamento. Pesquisa qualitativa ajuda a entender expectativas e dificuldades.

O guia de métodos de pesquisa UX ajuda a escolher métodos conforme a pergunta, enquanto Microsoft Clarity pode ajudar a localizar comportamentos para investigação.

Quais métricas acompanhar?

Taxa de conversão é importante, mas não explica sozinha a experiência.

EtapaMétricas possíveis
BuscaUso da busca, zero resultados, reformulação e avanço
PLPUso de filtros, abertura de produtos e abandono
PDPAdd to cart, seleção de variações e erros
CarrinhoAvanço para checkout e alterações
CheckoutConversão por etapa, erros e conclusão
Pós-compraContatos, cancelamentos, devoluções e recompra

O conteúdo sobre métricas de UX ajuda a combinar esses sinais de produto com medidas de eficácia, eficiência e percepção da experiência.

UX e CRO se encontram no e-commerce

Quando um problema da experiência está associado a uma etapa de conversão, UX e CRO podem trabalhar juntas.

Pesquisa ajuda a descobrir a provável causa. CRO organiza a hipótese, priorização, experimento e aprendizado em torno de um resultado mensurável.

O guia de CRO aprofunda esse processo de diagnóstico, hipótese, experimentação e análise.

Teste antes de transformar boas práticas em regras

Uma recomendação encontrada em pesquisas de grande escala pode ser uma excelente referência para iniciar uma auditoria. Ela não substitui o contexto do seu produto.

Catálogo, frequência de compra, ticket, dispositivo, público e modelo de negócio alteram as necessidades da experiência.

Quando existe tráfego e uma hipótese adequada para experimentação, um teste A/B pode ajudar a estimar o efeito de uma mudança. Em outros contextos, testes de usabilidade, análise longitudinal ou rollout monitorado podem ser alternativas melhores.

UX de e-commerce é uma jornada, não uma coleção de telas

Uma loja virtual não é apenas homepage + página de produto + checkout.

A pessoa precisa encontrar uma opção, reduzir o catálogo, compreender diferenças, avaliar riscos, escolher uma variação, entender preço e entrega, revisar o pedido, pagar e acompanhar o que acontece depois.

Por isso, eu avaliaria a experiência de um e-commerce nesta sequência:

Descoberta → busca e navegação → lista e filtros → produto → carrinho → checkout → pagamento → confirmação → entrega → troca, devolução e suporte.

O objetivo não é remover toda decisão ou todo esforço. É eliminar o esforço que não ajuda a pessoa a comprar com compreensão e segurança.

Se o problema do e-commerce aparece em abandono, dificuldade para encontrar produtos, baixa conversão mobile ou dúvidas recorrentes no checkout, uma consultoria de UX pode ajudar a combinar pesquisa, analytics e avaliação da jornada para priorizar os pontos com maior impacto antes de partir para um redesign amplo.

Referências

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Escrito por Lucas Camara

Senior Product & UX Designer com experiência em produtos digitais, estratégia, pesquisa e otimização de experiências. Atua conectando UX, tecnologia e objetivos de negócio para criar soluções mais claras, eficientes e orientadas a resultados.

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