Contexto
Uma IA pode redigir um e-mail, resumir um documento, preencher campos, classificar registros, criar uma descrição ou propor uma resposta. Antes de esse resultado orientar uma decisão, ser enviado, publicado ou substituir conteúdo existente, a pessoa precisa conseguir examiná-lo e, quando necessário, mudá-lo.
Esta regra trata do resultado que a IA apresenta para uso. Ela não substitui a confirmação antes de uma ação externa: revisar um rascunho é diferente de autorizar o envio, a publicação ou a alteração de dados.
Apresente o resultado da IA como uma proposta, não como conteúdo final. Permita aceitar, editar, refinar, regenerar ou descartar a proposta no próprio contexto em que ela aparece.
Quando a pessoa precisar comparar a sugestão com o conteúdo original, preserve a referência necessária: mostre a mudança, mantenha a versão anterior disponível ou ofereça desfazer. Em resultados longos ou estruturados, permita correções locais sem obrigar a gerar tudo outra vez.
Deixe explícito o que cada ação altera. “Aplicar alterações”, “Substituir trecho” e “Descartar sugestão” são mais claros do que um único botão genérico. Se o uso posterior produzir efeito externo ou difícil de reverter, conecte a revisão à confirmação adequada antes da execução.
Porque isso importa?
Resultados de IA podem estar incompletos, interpretar mal o contexto ou reproduzir uma decisão inadequada para a tarefa. A possibilidade de correção mantém a pessoa como responsável pelo resultado e evita que uma sugestão probabilística pareça definitiva.
A diretriz 9 do Microsoft HAX recomenda facilitar a edição, o refinamento ou a recuperação quando a IA estiver errada. O estudo de Amershi e colaboradores que originou as diretrizes reuniu recomendações de interação humano-IA e as avaliou com profissionais de design em produtos com IA. Isso não significa que toda sugestão exige revisão manual: o nível de controle deve acompanhar o risco, a reversibilidade e a confiança necessária no resultado.
Quando usar?
- Rascunhos de texto, e-mails, respostas e documentos criados pela IA.
- Resumo, extração, classificação ou preenchimento de campos que a pessoa precisa validar.
- Recomendações que orientam uma decisão de produto, atendimento, operação ou análise.
- Conteúdo visual, textual ou estruturado que poderá ser publicado, enviado ou compartilhado.
- Alterações propostas para um conteúdo já existente.
- Fluxos nos quais a correção de uma parte é mais eficiente que regenerar todo o resultado.
Quando evitar?
- Não introduza uma etapa de revisão obrigatória em sugestões locais, reversíveis e de baixo risco que a pessoa já controla diretamente.
- Não trate edição como substituta de confirmação quando a IA vai executar uma ação externa, financeira, destrutiva ou relacionada a permissões.
- Não esconda a possibilidade de corrigir atrás de um menu genérico ou depois de aplicar a alteração.
- Não force a pessoa a recomeçar ou reformular todo o pedido para corrigir um detalhe simples.
- Não apresente uma resposta como final se ela não puder ser modificada, recusada ou recuperada.
Recomendações
Faça
- Trate o resultado como proposta até a pessoa aceitá-lo.
- Ofereça aceitar, editar, refinar, regenerar e descartar conforme o contexto.
- Permita correções localizadas em conteúdos longos ou estruturados.
- Preserve a versão anterior, a origem ou uma ação de desfazer quando houver substituição.
- Use verbos claros para explicar cada efeito.
- Mostre o escopo da alteração antes de substituir conteúdo existente.
- Eleve a revisão e a confirmação quando o impacto for alto.
Evite
- Não substitua conteúdo automaticamente sem caminho claro para revisar ou recuperar.
- Não reduza a pessoa a aceitar ou reiniciar todo o processo.
- Não use um único botão ambíguo para aplicar uma mudança ampla.
- Não esconda descarte ou edição enquanto destaca apenas a aceitação.
- Não trate uma edição local como autorização para enviar, publicar ou executar.
- Não dependa apenas de ícones, cores ou animações para indicar o que pode ser corrigido.