O que são Design Tokens? Exemplos, tipos e padrão DTCG

Categoria

Design Systems

Tempo de leitura

9 min de leitura

Publicação

30/04/2026

Resumo: Entenda o que são Design Tokens, diferenças entre primitivos e semânticos e como usar JSON DTCG 2025.10, Figma Variables e CSS.

Design Tokens são valores nomeados e reutilizáveis que representam decisões de design, como cores, espaçamento e tipografia. Em vez de repetir um HEX em dez componentes, a equipe pode manter um token para a cor e outros tokens que indiquem em quais funções ela deve ser usada.

Eles ajudam a aproximar o que designers definem no Figma daquilo que desenvolvedores implementam. Mas tokens não são apenas variáveis CSS: podem ser descritos em arquivos interoperáveis, referenciados por aliases e transformados para diferentes tecnologias. Neste guia você aprenderá o que são tokens primitivos e semânticos, como escrever um arquivo JSON DTCG e como lidar com temas e governança.

O que são Design Tokens e para que servem?

Design Tokens traduzem decisões visuais para uma linguagem organizada, que pode ser interpretada por ferramentas e pessoas. Eles são especialmente úteis em produtos com múltiplos componentes, marcas ou equipes. Um token não é uma promessa de sincronização automática: cada etapa entre o design e o código exige integração e verificação.

Uma cor da marca, por exemplo, pode ser registrada como color.brand.500, enquanto um botão usa color.action.primary. Quando a função é expressa separadamente do valor, fica mais fácil adaptar o componente a novos temas sem trocar HEXs em cada lugar.

Sem sistema de tokensCom arquitetura e referências
HEX e medidas repetidos sem relação explícita.Valores padronizados e nomeados por papel.
Cada componente decide como uma cor é utilizada.O token semântico expressa a intenção do uso.
Mudanças exigem inspeção de vários arquivos.Integrações permitem propagar referências com revisão.
Temas claros e escuros são configurados isoladamente.Papéis podem ser associados a valores específicos por tema.
Design Tokens

Tipos de Design Tokens: primitivos, semânticos e componentes

Um modelo comum de arquitetura organiza os tokens em três camadas. Essa é uma decisão de arquitetura adotada por muitas equipes, e não uma exigência formal de três níveis pela especificação DTCG. Dependendo do produto, um nível pode não ser necessário.

Tokens primitivos: inventário de valores

Primitivos descrevem os valores disponíveis: color.brand.500, space.md ou font.weight.bold. Nomes como esses indicam o que existe no sistema, mas não necessariamente onde usar cada escolha. Os valores podem mudar em uma revisão de marca ou de acessibilidade; não são imutáveis.

Uma escala de 50 a 950 pode ajudar a organizar a paleta, mas os números não garantem contraste nem devem ser usados automaticamente como nomes de funções. Para projetar as famílias cromáticas, veja paleta de cores para Design System.

Tokens semânticos: papéis no produto

Tokens semânticos descrevem o papel de um valor, como color.text.default, color.surface.page ou color.action.primary. Eles permitem diferenciar a intenção do componente do valor escolhido no momento. O token semântico pode mudar a cor utilizada em um tema escuro e continuar representando a mesma função.

Um alias é uma referência técnica a outro token. Isso não é exatamente o mesmo que “semântica”: aliases podem existir em diferentes níveis, enquanto a nomeação semântica representa uma decisão de arquitetura e linguagem.

Tokens de componente: exceções e necessidades específicas

Alguns Design Systems usam button.primary.background ou input.border.focus para detalhar decisões de componentes. Essa camada deve existir quando oferece benefício prático, e não apenas para duplicar cada propriedade de cada variante. Evite construir um catálogo tão profundo que ninguém consiga encontrar a decisão certa.

CamadaExemploFunção
Primitivacolor.brand.500Representar um valor de cor.
Semânticacolor.action.primaryRepresentar uma ação primária.
Componentebutton.primary.backgroundAplicar uma decisão ao botão, se a camada for necessária.

Como nomear Design Tokens

Uma boa taxonomia torna decisões encontráveis e coerentes. Prefira um padrão que diferencie categoria, função, variação e estado, sem obrigar cada token a conter todos esses elementos. O formato do nome só é útil se as equipes conseguirem localizar e usar as referências certas.

  • Primitivos: nomes que representam inventários de valores sem antecipar o uso final.
  • Semânticos: nomes que comunicam papel, como fundo, texto, ação ou borda.
  • Estados: variações documentadas para foco, hover, erro ou seleção quando necessárias.
  • Consistência: separadores, pluralização e convenções devem ser uniformes dentro do sistema.
  • Governança: registre nomes descontinuados, responsáveis, revisões e orientações de migração.

Especificação DTCG 2025.10: o que foi padronizado?

O Design Tokens Community Group (DTCG) publicou, em 28 de outubro de 2025, sua primeira especificação estável para compartilhamento de tokens. Ela fornece um formato de intercâmbio com grupos, tipos, valores e referências. O conjunto também inclui módulos específicos para cores e mecanismos de resolução relacionados a temas.

Atenção à terminologia: a versão DTCG 2025.10 é um Final Community Group Report estável, não uma W3C Recommendation. O FAQ oficial do DTCG explica que ela não pertence ao W3C Standards Track. Assim, dizer que é “uma norma W3C obrigatória” seria incorreto.

O que significam $value, $type e aliases?

No Format Module 2025.10, $value guarda o conteúdo de um token. A propriedade $type define o tipo, como color ou dimension, e também pode ser herdada de grupos válidos. Sem um tipo que possa ser resolvido, o token não é considerado válido. Referências como {color.brand.500} permitem apontar para valores existentes.

O tipo determina a estrutura esperada. Cores podem usar colorSpace e components; dimensões expressam número e unidade. Escrever qualquer string em JSON não basta para garantir compatibilidade com o formato estável.

Exemplo de Design Tokens em JSON DTCG 2025.10

O exemplo a seguir é didático. A cor-base usa sRGB, o token de ação faz uma referência e o espaçamento registra um valor em pixels. Os exemplos não são dados de um cliente ou exportações automáticas de um plugin.

{
  "color": {
    "brand": {
      "500": {
        "$type": "color",
        "$value": {
          "colorSpace": "srgb",
          "components": [
            0,
            0.4,
            0.8
          ],
          "hex": "#0066cc"
        }
      }
    },
    "action": {
      "primary": {
        "$type": "color",
        "$value": "{color.brand.500}"
      }
    }
  },
  "space": {
    "md": {
      "$type": "dimension",
      "$value": {
        "value": 16,
        "unit": "px"
      }
    }
  }
}

A cor primitiva color.brand.500 contém o valor; color.action.primary aponta para ela. É possível alterar o valor do primitivo preservando a referência, desde que as ferramentas resolvam os aliases corretamente. O token space.md demonstra o tipo de dimensão com seu número e unidade.

Como gerar variáveis CSS a partir dos tokens

Ferramentas como o Style Dictionary podem consumir valores e produzir saídas para diferentes plataformas. O CSS abaixo é apenas uma representação possível dos tokens anteriores; a saída real depende das regras de transformação e da configuração da equipe.

:root {
  --color-brand-500: #0066cc;
  --color-action-primary: var(--color-brand-500);
  --space-md: 16px;
}

.button-primary {
  background: var(--color-action-primary);
  padding-inline: var(--space-md);
}

Compartilhar nomes reduz divergências, mas não garante que a variável do Figma e a implementação estejam sincronizadas. Para fechar esse ciclo, defina responsáveis, fonte de verdade, processo de publicação, revisão e testes.

Design Tokens e Figma Variables: qual a relação?

As Figma Variables armazenam valores reutilizáveis e suportam referências e modos em contextos compatíveis. Elas podem representar decisões da arquitetura de tokens, mas não são, por si só, um arquivo interoperável DTCG. O fluxo entre Figma, um repositório e código depende das ferramentas e permissões disponíveis.

Design Tokens

Para aprender sobre coleções, aliases, modes e operação dentro do editor, consulte o artigo especializado Figma Variables: design tokens, dark mode e theming. Aqui o assunto principal é a arquitetura dos tokens e como suas representações se relacionam.

Como usar Design Tokens em modo claro e escuro

O ideal é preservar papéis como color.surface.page ou color.text.default ao variar o tema. Os valores associados podem mudar para conservar legibilidade e hierarquia. A resolução de temas tem regras próprias; um JSON de tokens não transforma automaticamente a interface quando o usuário ativa o modo escuro.

Token semânticoModo claroModo escuro
color.surface.pageSuperfície clara aprovadaSuperfície escura aprovada
color.text.defaultTexto escuro sobre superfície claraTexto claro sobre superfície escura
color.action.primaryTom escolhido e testado para esse contextoTom escolhido e testado para o tema escuro

O mapeamento precisa ser validado no produto. WCAG 2.2 e outros requisitos aplicáveis devem ser avaliados nos pares reais de cores e controles. A existência de tokens não garante conformidade com acessibilidade.

Design Tokens, Design System e DESIGN.md não são sinônimos

Um Design System reúne componentes, padrões e governança; tokens são uma parte dessa estrutura. Já DESIGN.md documenta instruções de design em determinados fluxos com agentes e ferramentas de IA. Ele não substitui por padrão um sistema de tokens tipados. A comparação específica está em DESIGN.md versus Design Tokens.

Como criar Design Tokens em seis etapas

Antes de criar dezenas de tokens, identifique quais decisões realmente precisam ser compartilhadas entre produtos e plataformas. Use este roteiro como referência e adapte a documentação ao grau de maturidade e ao número de equipes envolvidas.

Como organizar Design Tokens em seis etapas, da auditoria de valores à governança.

Mapeie as decisões repetidas

Levante cores, espaços, tipografia e componentes usados no produto e identifique divergências.

Defina nomes e papéis

Separe valores primitivos dos tokens que representam funções, temas e estados.

Modele e valide o formato

Crie tokens tipados com valores e referências compatíveis com o formato adotado.

Integre Figma e código

Documente a origem dos valores, os transformadores utilizados e a forma de atualizar a implementação.

Teste interfaces e temas

Verifique acessibilidade, contraste, estados e diferentes condições de uso.

Governança e versionamento

Defina revisores, regras de mudança, depreciações e critérios de qualidade para lançamentos.

Como medir a eficiência dos Design Tokens

Evite afirmar que o uso de tokens reduz custos ou prazos por uma porcentagem fixa sem medições específicas. O objetivo é melhorar a consistência e reduzir esforço de manutenção, mas as consequências dependem da arquitetura, da equipe e das ferramentas. Registre indicadores e compare tarefas equivalentes.

IndicadorComo usarLimitação
Referências quebradasIdentificar aliases ou tipos inconsistentes.Validação técnica não garante boa semântica.
Valores fora da bibliotecaVerificar repetições de HEXs, tamanhos ou espaços.Exceções locais podem ser legítimas.
Mudanças propagadasConferir versões adotadas em produtos e apps.Atualização não substitui testes de regressão.
Tempo de manutençãoObservar o esforço para revisar uma decisão compartilhada.Compare cenários de complexidade semelhante.

Erros frequentes na implementação

  • Confundir tokens com apenas cores: espaçamentos, tipografia e outras decisões podem ser modelados.
  • Tratar DTCG como recomendação formal do W3C: o status correto é relatório estável de grupo comunitário.
  • Impor três camadas para qualquer projeto: uma arquitetura simples também pode ser suficiente.
  • Presumir sincronia automática: nomes iguais não são uma integração real entre Figma e código.
  • Dispensar acessibilidade: é indispensável testar resultados no produto e em cada tema.
  • Prometer ROI sem dados: a melhoria precisa ser medida, não apenas presumida.

Perguntas frequentes sobre Design Tokens

O que são Design Tokens?

São representações nomeadas de decisões de design, incluindo cores, espaçamento e tipografia. Podem ser compartilhadas entre componentes, ferramentas e plataformas por formatos e transformações compatíveis.

O que são tokens primitivos e semânticos?

Primitivos representam valores disponíveis, por exemplo color.brand.500. Semânticos nomeiam funções, por exemplo color.action.primary, e podem referenciar primitivas.

O DTCG é uma recomendação oficial do W3C?

Não. A versão 2025.10 é um Final Community Group Report estável criado no contexto de um grupo da comunidade W3C, mas não uma W3C Recommendation.

O que significam $value e $type?

No DTCG, $value armazena o valor do token e $type identifica um tipo válido como color ou dimension. O tipo também pode ser herdado de grupos ou referências adequadas.

Figma Variables são Design Tokens?

Variables podem representar decisões de design e suas referências no Figma. Porém, o formato de Variables e o formato interoperável DTCG não são a mesma coisa; sincronizá-los pode exigir integrações.

Tokens garantem contraste e acessibilidade?

Não. Tokens permitem organizar decisões, mas os pares de cor, estados e comportamento da interface final precisam ser testados conforme os critérios aplicáveis das WCAG.

Conclusão

Design Tokens transformam decisões repetidas em referências que podem ser auditadas, transformadas e reutilizadas. Um bom sistema combina nomes compreensíveis, tipos corretos, aliases válidos, integração e governança. A especificação DTCG 2025.10 contribui para esse objetivo, mas não dispensa decisões de design e validação das interfaces.

Para organizar componentes e processos em torno dessas decisões, veja o guia de Design Systems. Se a equipe precisa identificar inconsistências e priorizar a evolução do produto, conheça a consultoria de UX.

Fontes e referências

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Escrito por Lucas Camara

Senior Product & UX Designer com experiência em produtos digitais, estratégia, pesquisa e otimização de experiências. Atua conectando UX, tecnologia e objetivos de negócio para criar soluções mais claras, eficientes e orientadas a resultados.

Lucas Camara de braços cruzados, barba e cabelo escuros, usando camiseta branca em estúdio

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