Em 2019, o Figma tinha cerca de 1 milhão de usuários. Hoje, a plataforma ultrapassa 13 milhões de usuários ativos mensais — e em julho de 2025 abriu capital na Bolsa de Nova York (NYSE: FIG) com avaliação de US$ 19,3 bilhões. A maioria dos times adotou a ferramenta não por modismo, mas porque ela resolveu um problema real: como designers, developers e stakeholders trabalham no mesmo arquivo ao mesmo tempo, sem perder velocidade.
Se você quer entender o que é o Figma, para que serve e o que mudou na plataforma em 2026, este guia cobre tudo isso de forma direta.
O que é o Figma?
Figma é uma ferramenta de design de interfaces baseada na nuvem, usada para criar wireframes, protótipos interativos e sistemas de design diretamente no navegador, sem instalação obrigatória. Toda edição acontece em tempo real, com múltiplos usuários trabalhando no mesmo arquivo simultaneamente.
Em termos práticos: é onde UX Designers criam as telas de produtos digitais, testam fluxos de navegação e entregam especificações para os times de desenvolvimento — tudo no mesmo lugar.
Lançado em 2016 por Dylan Field e Evan Wallace (que iniciaram o projeto em 2012, na Brown University), o Figma se tornou o padrão de mercado ao reunir, em um único arquivo, o que antes exigia três ou quatro ferramentas separadas: editor vetorial, prototipação, comentários e geração de código para handoff.
Para quem está começando em UI Design, o Figma é, na prática, o ponto de entrada — aparece na maioria das vagas, nos portfólios e nos projetos de consultoria.
Para que serve o Figma no processo de UX
Engana-se quem pensa que o Figma serve apenas para “fazer telas bonitas”. No processo de UX, a ferramenta aparece em etapas bem distintas.
Design de interfaces e wireframes
Do wireframe de baixa fidelidade ao mockup de alta fidelidade, tudo é produzido no Figma. A estrutura de frames e componentes permite criar rapidamente esboços e evoluir para designs acabados sem trocar de ferramenta.
Em projetos de consultoria, o Figma aparece desde as primeiras iterações de um mapeamento de jornadas do usuário: uma tela inacabada já comunica a intenção de design e recebe feedback antes de qualquer linha de código existir.
Prototipagem interativa
O Figma permite conectar frames com interações — cliques, hovers, transições animadas — e gerar um protótipo navegável por link. Isso elimina a necessidade de ferramentas externas como InVision ou Marvel para a maioria dos casos de teste.
O protótipo pode ser validado com usuários reais diretamente no navegador, o que reduz o ciclo de validação de dias para horas.
Colaboração em tempo real
Este é o diferencial que consolidou a ferramenta. No Figma, um designer ajusta um componente enquanto o PM comenta em outra seção e o desenvolvedor inspeciona especificações técnicas — tudo no mesmo arquivo, ao mesmo tempo.
Não existe “versão final” enviada por e-mail. O arquivo é a fonte única de verdade do projeto.
Handoff para desenvolvedores
Um dos maiores pontos de atrito em times de produto é a transição entre design e desenvolvimento. O Figma resolve parte desse problema com o Dev Mode: desenvolvedores acessam o arquivo em um modo dedicado, com especificações de espaçamento, cores em HEX/HSL/Tokens, propriedades CSS e assets exportáveis.
Para estruturar esse processo de forma eficiente, veja nosso guia sobre documentação de design e handoff para desenvolvedores.
Principais funcionalidades do Figma
Editor vetorial e componentes
O Figma oferece um editor vetorial completo com Bézier curves, máscaras e grids. Mas o que acelera o trabalho é o sistema de componentes: elementos reutilizáveis (botões, inputs, cards) que, quando alterados no original, atualizam automaticamente em todos os locais onde foram usados.
Essa é a base técnica para qualquer Design System.
Auto Layout e variantes
Auto Layout aproxima o Figma do comportamento real de CSS Flexbox. Um botão com Auto Layout se expande ou contrai conforme o texto muda — sem ajuste manual. Para quem cria componentes responsivos, é indispensável.
Variantes agrupam estados diferentes de um mesmo componente (default, hover, disabled, loading) em uma única entidade no painel de assets. Isso organiza o Design System e facilita o uso por toda a equipe.

FigJam — o quadro colaborativo
FigJam é o produto de whiteboard do Figma: um ambiente de brainstorming, mapeamento de fluxos e workshops remotos. Funciona com sticky notes, templates de frameworks como User Story Map e Service Blueprint, e integração direta com o arquivo de design.
Para times de UX que conduzem Discovery remoto, o FigJam substituiu parcialmente o Miro nas etapas iniciais de projeto.

Figma Make e IA generativa
O Figma Make, lançado no Config 2025, permite gerar protótipos interativos a partir de prompts de texto. O designer descreve o que quer e a ferramenta gera uma versão navegável inicial.
Em testes realizados em 2025 por equipes de produto, o Figma Make reduziu o tempo de wireframe inicial em até 45 minutos por sessão — útil para exploração rápida de conceitos. Mas atenção: o protótipo gerado é um ponto de partida. Não substitui UX Research e validação com usuários reais.
A plataforma também incorporou o Code-to-Canvas em 2026: você descreve um trecho de código existente e o Figma gera o frame de design correspondente. Nenhum concorrente oferece essa funcionalidade nativamente.
Figma Sites — do design ao ar
Anunciado em beta no Config 2025, o Figma Sites permite publicar designs diretamente na web, com CMS features integradas. A proposta é reduzir o gap entre design e publicação para landing pages e sites institucionais.
O recurso ainda está em versão beta e tem limitações para projetos complexos, mas aponta para onde a plataforma está indo.
Figma em 2026: o que mudou
O Config 2025 (maio, em São Francisco e Londres) foi o evento de produto mais denso da história do Figma. Em uma única conferência, a empresa lançou quatro linhas de produto novas:
- Figma Sites: construtor de sites e web apps com IA e CMS
- Figma Make: geração de protótipos por prompts (powered by Claude)
- Figma Buzz: criação de conteúdo de marketing com IA
- Figma Draw: ferramenta de ilustração vetorial avançada, concorrente do Adobe Illustrator
Em outubro de 2025, o Figma adquiriu a startup israelense Weavy por mais de US$ 200 milhões, rebatizada como Figma Weave, para fortalecer edição de imagem e vídeo com IA.
No plano financeiro, o Figma abriu capital na NYSE em 31 de julho de 2025 com o ticker FIG, com ações triplicando no primeiro dia de negociação e avaliação final de US$ 56,3 bilhões. No primeiro trimestre de 2025, a empresa registrou receita de US$ 228 milhões — crescimento de 46% frente ao mesmo período de 2024.
Para designers que já usam a ferramenta, o impacto prático é claro: o Figma está investindo pesado em IA e em expandir além do design de interfaces. A plataforma está se tornando um hub de produto digital completo.
Figma é gratuito? Planos e preços atualizados (2025/2026)
Sim, o Figma tem plano gratuito funcional para freelancers e estudantes. Os planos pagos sofreram reajuste em março de 2025. Veja a tabela atualizada:
| Plano | Preço (anual) | Para quem | Principais limites |
|---|---|---|---|
| Starter (Free) | Gratuito | Freelancers, estudantes | 3 projetos por equipe |
| Professional | ~US$ 15/editor/mês | Designers e duplas | Projetos ilimitados, histórico ilimitado |
| Organization | ~US$ 45/editor/mês | Times médios e grandes | Design Systems, SSO, analytics |
| Enterprise | ~US$ 75/editor/mês | Corporações | Controles avançados, SLA, segurança |
Valores em USD. A partir de março de 2025, cada seat inclui acesso ao FigJam e ao Figma Slides. Consulte a tabela atualizada em figma.com/pricing.
Um ponto de atenção para times: em auditoria de 18 equipes realizada em 2025, as faturas do Figma foram subestimadas em média 27% pelos gestores financeiros. O motivo mais comum é o colaborador adicionado para “deixar um comentário” que, após um clique acidental, é promovido automaticamente para editor.
Para a maioria dos designers iniciantes, o plano gratuito cobre os primeiros 6 a 12 meses de aprendizado sem custo.
Figma vs outras ferramentas de design
O Figma não é a única opção, mas é a dominante. Veja uma comparação direta com as principais alternativas:
| Critério | Figma | Sketch | Penpot | Framer |
|---|---|---|---|---|
| Plataforma | Web (qualquer OS) | macOS apenas | Web (open-source) | Web |
| Colaboração real-time | Nativo | Limitado | Nativo | Limitado |
| Prototipagem | Integrada | Via plugin | Integrada | Avançada |
| Design System | Robusto | Robusto | Funcional | Básico |
| IA integrada | Sim (Make, Buzz, Draw) | Não | Parcial | Não |
| Plano gratuito | Sim | Não | Sim | Sim (limitado) |
| Handoff dev | Dev Mode nativo | Via plugin | Via inspect | Limitado |
O Adobe XD foi oficialmente descontinuado pela Adobe em 2024, o que acelerou a migração do mercado para Figma e, em menor escala, para Penpot (alternativa open-source com forte adesão em equipes europeias).
O Sketch ainda tem espaço em equipes que trabalham exclusivamente no ecossistema Apple com workflows consolidados.
Como o Figma se encaixa numa estratégia de Design System
Usar o Figma sem um Design System é como ter uma biblioteca sem catalogação. À medida que o produto cresce, os arquivos acumulam componentes duplicados, estilos inconsistentes e retrabalho constante.
O Figma oferece a infraestrutura técnica para um Design System funcionar: componentes, tokens de design, bibliotecas compartilhadas entre projetos. Mas a ferramenta é o meio, não o fim. A estratégia de organização, governança e documentação precisa vir antes.
Para aprofundar, leia nosso guia sobre Design Systems no Figma e o Guia de Design System para Escalabilidade e ROI.
Figma para mockups interativos de UX: quando usar e quando não usar
Uma dúvida frequente entre designers é se o Figma é a melhor escolha para mockups interativos de UX ou se vale a pena considerar ferramentas especializadas como Maze, Protopie ou Axure.
A resposta depende do objetivo:
Use o Figma quando:
- O objetivo é testar fluxos de navegação com usuários reais antes do desenvolvimento
- O time já trabalha no Figma e quer evitar exportar arquivos para outras ferramentas
- O protótipo é de média a alta fidelidade e precisa de handoff posterior para desenvolvimento
Considere outras ferramentas quando:
- Você precisa de interações muito complexas (microanimações frame a frame, lógica condicional avançada) — Protopie tem mais recursos nesse sentido
- O objetivo é teste de usabilidade quantitativo automatizado — o Maze se integra bem ao Figma e adiciona métricas como tempo por tarefa e taxa de conclusão
- O projeto envolve protótipos de produto físico com interfaces de hardware
Para pesquisa com usuários séria, o protótipo no Figma funciona como veículo, não como destino. O mais importante é o que acontece com os dados coletados durante o teste. Veja como estruturar isso no artigo sobre UX Research para tomada de decisão de produto.
Perguntas Frequentes sobre Figma
O que é o Figma e para que serve?
Figma é uma ferramenta de design de interfaces baseada na nuvem, usada para criar wireframes, protótipos e sistemas de design. Funciona no navegador, permite colaboração em tempo real e é usada por UX Designers, UI Designers, Product Designers e times de produto digital em todo o mundo.
O que significa Figma? De onde vem o nome?
O nome “Figma” não tem um significado técnico específico. Foi escolhido pelos fundadores Dylan Field e Evan Wallace como identidade da empresa criada em 2012. A palavra remete visualmente ao universo de design e tipografia (fig, de figural), mas não é uma sigla nem um acrônimo.
O Figma é gratuito ou pago?
O Figma tem plano gratuito que permite criar projetos (com limite de 3 por equipe) e colaborar com outros usuários. Os planos pagos partem de US$ 15 por editor por mês (plano anual) e desbloqueiam histórico de versões ilimitado e mais recursos para times. A partir de março de 2025, cada seat pago inclui FigJam e Figma Slides.
Qual a diferença entre Figma e Canva?
São ferramentas com propósitos distintos. O Canva é voltado para criação de peças gráficas (posts, apresentações, flyers) por usuários não técnicos. O Figma é focado em design de produtos digitais — interfaces de apps e sites — com funcionalidades como componentes, Auto Layout, prototipagem interativa e handoff para desenvolvedores.
Quais são as melhores plataformas para mockups interativos de UX?
Para mockups interativos integrados ao fluxo de desenvolvimento, o Figma é o padrão de mercado. Para testes de usabilidade quantitativos, o Maze (integrado ao Figma) adiciona métricas automatizadas. Para interações muito complexas e microanimações avançadas, o ProtoPie oferece mais recursos. Para pesquisa com usuários em ambientes corporativos com lógica condicional, o Axure ainda tem espaço.
O Figma funciona sem internet?
O Figma tem aplicativo desktop para macOS e Windows que permite trabalho offline com sincronização posterior. A colaboração em tempo real e o acesso às bibliotecas compartilhadas requerem conexão ativa.
Preciso aprender Figma para trabalhar com UX em 2026?
Em 2026, o Figma é requisito básico para a maioria das vagas de UX/UI Designer e Product Designer. Não aprender Figma não inviabiliza uma carreira em UX Research puro, mas limita significativamente as oportunidades em design de produto, consultoria e times multidisciplinares.
O Figma tem IA? Como funciona?
Sim. O Figma tem IA integrada em vários pontos do fluxo desde 2025. O principal produto de IA é o Figma Make, que gera protótipos navegáveis a partir de prompts de texto. O Code-to-Canvas gera frames de design a partir de código. O Figma Buzz cria conteúdo de marketing. O FigJam AI sugere layouts e resume workshops. Todos os recursos de IA consomem créditos, o que pode encarecer o plano para usuários intensivos.
O Figma foi comprado pela Adobe?
Não. Em setembro de 2022, a Adobe anunciou a intenção de comprar o Figma por US$ 20 bilhões. Em dezembro de 2023, a fusão foi cancelada por falta de aprovação regulatória pela Comissão Europeia e pela autoridade britânica de concorrência (CMA). A Adobe pagou ao Figma US$ 1 bilhão de multa contratual. O Figma permaneceu independente e abriu capital na NYSE em julho de 2025.
Conclusão
O Figma virou padrão de mercado porque resolveu um problema estrutural: colaboração em tempo real, em uma ferramenta que cobre desde o wireframe até o handoff. Em 2025 e 2026, a plataforma deu mais um salto ao integrar IA em praticamente todo o fluxo de trabalho e lançar produtos adjacentes como Figma Sites, Figma Buzz e Figma Draw.
Mas a ferramenta é o meio. O que define a qualidade do design é o processo por trás dela: pesquisa com usuários, validação, iteração e decisões fundamentadas em dados.
Se você quer se aprofundar em como o Figma se encaixa num fluxo completo de UX, explore o blog da CamaraUX ou assine nossa newsletter para receber conteúdo novo diretamente no seu e-mail.